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| Fotografia: Milena Fahel |
Por Daiane
Santiago e Milena Fahel
Era
uma noite chuvosa de quinta-feira e tínhamos uma missão: fazer um
ensaio
fotográfico com Jean Carlos, a drag queen Mitta Lux. Vou me abster de
contar
os pormenores da chegada a sua residência, mas o fato é que, enfim,
chegamos.
Tratava-se de uma escola, na avenida Vasco da Gama e, ao fundo
havia
uma casa, na qual residia Jean. Entramos e fomos convidadas pela
assistente
dele, Samine, a ir até o cômodo onde ele se montava1
que
faria na Creperia La Bouche, no antigo Beco da Off, na Barra.
O ar
de curiosidade era compartilhado entre nós duas. Adentramos o quarto
e,
entre perucas, uma infinidade de maquiagens e saltos dos mais altos e
coloridos,
encontramos Jean. Curiosamente, se maquiava ao som de Aline
Barros.
Recebeu-nos ainda como Jean - como ele mesmo diz: “precisa ir
encarnando
o personagem” -. Ao longo do ensaio percebemos que o ato de
maquiar
é muito simbólico na apropriação do fazer artístico e incorporação da
personagem.
Quase
que instintivamente passamos a fazer perguntas enquanto fotografávamos. Era
como se conhecer a história de Jean nos ajudasse a
compor
o ensaio. Todas as informações sobre a vida pessoal e profissional
dele
pareciam nos guiar na criação e composição do trabalho. A dificuldade de
acompanhar o simples ato de maquiar tornava o trabalho artístico, em certa
medida, tenso. A fotografia foi se construindo ao passo que Jean avançava na
transformação.
Os
componentes do cenário traziam ricos elementos visuais. Estes foram apropriados
pelo nosso processo artístico. Durante o ensaio, no auge dos seus 24 anos, Jean
falou com a propriedade de uma pessoa que já viveu muito a vida. Ele contou que
Mitta foi se construindo aos poucos, sozinha. “Quando vi já estava com o cabelo
vermelho e a saia de tule”, brincou.
Em
meio a transformação, já no papel de Mitta, ela muda a música para Maria
Bethânia. Segundo Mitta, Betânia é sua musa inspiradora e toma a
cena.
Dublando com uma perfeição indiscutível, observamos e tentamos levar
aqueles
detalhes para a fotografia. Em alguns momentos a concepção de Pareyson de que o
artista reconhece o êxito da obra de arte no momento em que ela acontece
tornou-se contundente. Alguns resultados foram comemorados entusiasticamente ao
longo do processo. De repente Jean, aquele que encontramos na chegada, já não
estava mais ali. Mitta, caracterizada de Marilyn Monroe, foi quem passou a
conduzir nosso trabalho.
Chovia
copiosamente, mas, como estava programado, nós fomos com Mitta até a Creperia
La Bouche para acompanhar a apresentação. Sem apoio técnico, a artista conduziu
com outra drag queen, Valerie O’rarah, a programação do espetáculo. A chuva e a
quantidade de movimentos de Mitta dificultaram os primeiros clicks, mas as
adversidades foram sendo dribladas ao longo do processo. Com a plateia lotada,
Mitta interpretou performaticamente vários artistas do cenário nacional e
internacional.
Após
longas horas de apresentação despedimo-nos dela, ainda glamourousa
como
quando chegou. Saímos do local com a sensação de ter chegado (ao
menos
perto) do tão ecoado poder artístico.
Mais fotos Milena Fahel, acesse:
http://www.lurvely.com/photographer/123987807_N07/

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