Por Daiane Santiago
Ainda no século XIX, o jornalismo se firmaria como um
produto do capitalismo. Tendo a notícia como um produto a venda, sua
logica girava em torno do capital. Mas ainda assim uma máxima sempre
esteve em pauta: a objetividade jornalística – mito que já foi
derrubado, sobretudo com advento da teoria construcionista. No mundo
contemporâneo, no qual grandes corporações e entidades políticas
absorvem os jornais, de que maneira é possível manter o status de
serviço público de grande relevância para a população?
No Brasil, pensando no exercício do jornalismo livre,
tal qual se aprende na universidade, a situação é ainda mais
complicada. Sem a regulação da mídia, de que forma é possível oferecer
um serviço de comunicação de qualidade, tendo em vista que a comunicação
nacional está nas mãos de algumas famílias? Só para ter uma ideia, de
acordo com o site ‘Os Donos da Mídia’,
atualmente políticos de cinco partidos são sócios ou dirigentes de
algum veículo de comunicação do país. O PMDB aparece em primeiro, da
lista com 22.
É possível exercer o jornalismo livre ou existe um
recorte de mundo, com foco nas aspirações e objetivos desses jornais?
Karan (2014) enfatiza a questão: “o problema, a rigor, não é do
jornalismo como gênero e consecução. É mais da forma, do conceito de
fato jornalístico, da pauta, da seleção e hierarquização dos fatos e de
suas fontes, das distintas visões sociais, ideológicas e da concentração
de propriedade dos meios que impede a pluralidade”.
Faz-se importante e necessária a discussão sobre a
regulação da mídia, que já é adotada em outros países. Ainda que existam
discussões sobre a liberdade de imprensa, esse parece ser o caminho
para a desconcentração dos meios nas mãos de apenas alguns grupos. De
acordo com matéria da BBC, países como a Venezuela, no qual houve
discussão acirrada sobre o assunto, os movimentos sociais dizem que a
lei aumentou o número de meios de comunicação comunitários.
A pluralidade dos meios é inerente ao exercício da
democracia. Karan (2014) afirma que quando os meios de comunicação e
referem a uma determinada necessidade social, é importante entender que
existe um recorte específico daquela realidade e que tal necessidade
pode ser outra para outro veículo de comunicação. Esse é apenas um dos
motivos da importância de um número mais representativo da sociedade nos
meios. É importante frisar que a lei atual permite a participação de
partidos políticos.
Art. 3º Nem estrangeiros nem
pessoas jurídicas, excetuando os partidos políticos nacionais, poderão
ser sócios ou participar de sociedades proprietárias de empresas
jornalísticas, nem exercer sobre elas qualquer tipo de controle direto
ou indireto.


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